quarta-feira, 3 de junho de 2015

Como consumir goji berry, chia, chá de hibisco e outros alimentos que ajudam a emagrecer

Saiba a maneira correta de ingerir para que eles realmente ajudem na perda de peso!
Alguns alimentos funcionais ganharam fama por auxiliarem na perda de peso e ainda possuírem uma série de nutrientes essenciais para a saúde. Porém, é preciso tomar cuidado ao     consumi-los, pois algumas maneiras podem fazer com que o alimento não ofereça todas as substâncias benéficas que tem. A seguir, nutricionistas explicam qual é a maneira correta de ingerir o goji berry, o chá de hibisco, o chá verde, a linhaça, a chia, o gengibre, a canela, a pimenta, a quinoa, o café, o agar-agar e o gergelim. Confira: 

Goji berry

Além de ajudar a emagrecer, o goji berry ainda ajuda a reduzir a celulite e melhora o sistema imunológicos, entre outros benefícios. Ele pode ser consumido como suco, in natura ou desidratado. 

Caso opte pela versão desidratada, que é mais comum no Brasil, é recomendado ingeri-la com água para hidratar as fibras e potencializar os efeitos benéficos. "A fruta pode ser misturada a outras frutas, saladas, sucos e iogurtes, para que se alcance seus efeitos. O importante é que seu consumo esteja presente no dia a dia", afirma a nutricionista Cátia Medeiros. A orientação é consumir entre 15 a 45 gramas da fruta ou 120 ml do seu suco. 

Acredita-se que alguma substância do goji berry interaja com o P450, local no fígado onde muitos medicamentos são metabolizados. Portanto, o consumo do alimento não é indicado para quem faz uso de medicações diária importantes como para o controle glicêmico e de pressão.

Quando é consumido em excesso alguns estudos feitos nos Estados Unidos apontam que chá de goji berry tem ação inibitória de medicação utilizada para evitar trombose ou anticoagulantes. 

Chá de hibisco

O chá de hibisco ajuda na queima de gordura, tem ação diurética, é antioxidante e controla o colesterol. Para aproveitar todos os seus benefícios é preciso alguns cuidados ao preparar a bebida. "Para elaborar o chá corretamente deve-se atentar à água, ela precisa ser mineral e não pode ser muito aquecida. A temperatura máxima é de 65 a 85 graus, quando pequenas bolhas começarem a se formar no fundo da caneca", explica a nutricionista Julie Maida, da Rede Mixirica. Isto porque se a água entrar em processo de fervura fará com que o chá perca suas propriedades funcionais. 

Utilize 200 ml de água, aqueça conforme orientado e adicione 4 a 6 gramas, o equivalente a uma colher de chá, da flor seca ou dois a três pacotinhos de chá. Estes 200 ml são a quantidade recomendada de chá de hibisco por dia. 

Quem realmente pretende emagrecer pode combinar o chá de hibisco com um alimento termogênico. Isto porque o primeiro irá evitar o acúmulo de gordura na região do abdômen e quadris e o segundo será capaz de aumentar o gasto energético. 
É importante ressaltar que esta estratégia só adianta quando a pessoa tem uma dieta balanceada e pratica exercícios.

O consumo em excesso do chá de hibisco não é orientado, pois como a bebida tem ação diurética pode fazer com que a pessoa elimine muitos eletrólitos, nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo, composto principalmente por cálcio, potássio, sódio e magnésio. A falta dessas substâncias pode levar a desidratação. 

Gestantes e lactantes devem evitar o chá de hibisco, pois algumas pesquisas preliminares mostraram que a bebida possui ação mutagênica, ou seja, pode interferir na estrutura dos genes do bebê, levando a problemas. 

Chá verde

O chá verde possui ação antioxidante e é um termogênico, ou seja, queima as calorias mais rapidamente no nosso corpo. A melhor forma de aproveitar os nutrientes da bebida é não ferver a água. "Caso aconteça de adicionar água fervente direto ao chá-verde, esta fará com que ele perca suas propriedades benéficas e confere um gosto muito amargo", alerta Maida. 

Por isso, aqueça a água para o chá até começar a formar bolhas no fundo da caneca, cerca de 60 a 85 graus. Depois, acrescente duas colheres de sopa da folha da erva, que é a opção mais saudável do que as versões em pó, saquinho ou cápsulas, na água. Desligue o fogo e deixe abafando por cinco a dez minutos. Para diminuir o efeito estimulante da bebida, descarte a primeira água e então repita o processo. 

A quantidade recomendada de chá verde por dia é até 600 ml. Evite consumir o chá verde durante as refeições. 
Como o chá verde possui grandes quantidades de cafeína o excesso da bebida pode causar insônia e levar a gastrite por aumentar a secreção gástrica. Beber mais do que os 600 ml por dia também pode reduzir a absorção de diversos nutrientes como o ferro e o cálcio. 

Gestantes devem evitar tomar o chá verde, pois ele pode reduzir o fluxo de sangue para a placenta, dificultando o desenvolvimento do feto. Pessoas com hipertireoidismo também devem evitar o chá, já que elas estão mais propensas à aceleração do metabolismo, devido a maior produção de hormônios da tireoide. Também é contraindicado para hipertensos, pessoas com glaucoma e irritações gástricas

Este chá ainda pode ter interações com remédios que estimulam o sistema nervoso simpático, portanto, ele não é indicado para quem os ingere. 

Linhaça e chia

Tanto a linhaça quanto a chia contribuem para o emagrecimento, pois proporcionam saciedade. Ambas são ricas em ômega 3, gordura poli-insaturada que é boa para o coração, visão, cérebro, entre outros benefícios. 

Porém, para a aproveitar o ômega 3 presente na linhaça e na chia é melhor triturar as sementes, pois o ácido graxo está dentro de uma capa de celulose. Ao quebrar essa capa, um óleo muito sensível é exposto. Então, a orientação é triturar as duas e consumir na hora ou se quiser ingerir depois, coloque-as em uma vasilha de plástico fosca com tampa e leve ao freezer. Desta forma o alimento ficará protegido de luz, oxigênio e da temperatura, evitando que ocorra a oxidação. 

A linhaça e a chia também são saudáveis quando consumidas in natura, pois são ricas em fibras. As versões in natura podem ser combinadas com saladas, iogurte, frutas e sucos. A chia também pode ser hidratada em 60 ml de água e após formar o gel pode ser consumida pura ou misturada ao suco e vitaminas. 

A quantidade recomendada de linhaça é 10 gramas ao dia, cerca de uma colher de sopa, e no caso da chia, estudos feitos em humanos obtiveram resultados positivos com cerca de 25 gramas, duas colheres de sopa, da semente. 

Não há contraindicação para o consumo de chia. Porém, o alimento não pode ser ingerido em excesso, pois pode levar ao aumento de peso, constipação intestinal, especialmente se a pessoa não tomar quantidade suficiente de água, e desconfortos gástricos. 

Pessoas com intestino que funciona rapidamente podem ter desconfortos com o consumo da linhaça. O excesso de linhaça pode causar problemas como competição por absorção, produção excessiva de gases e até mesmo obstrução intestinal. 

Gengibre

O gengibre ajuda na perda de peso e também tem ação anti-inflamatória. Ele pode ser consumido de diversas maneiras saudáveis, uma delas é como chá. "O chá pode ser feito por fervura, com a tampa do recipiente fechada, mas também pode ser utilizado em lascas dentro da água ou mesmo dentro de chás como o de hibisco", orienta Medeiros. 

Este alimento também pode ser adicionado ao suco na hora de liquidificar e após feito isso não coe a bebida antes do consumo. "O ideal é tomar no momento do preparo, afinal a maioria das misturas que levam o gengibre são fontes de vitamina C que é bastante sensível a variações de temperatura", explica Medeiros. 

As lascas de gengibre puras podem ser adicionadas na salada ou ao molho que irá acompanhar o prato. O gengibre em pó é uma ótima opção para temperar carnes e sobremesas. Estudos sugerem que benefícios podem ser alcançados com o consumo de 2 a 4 gramas de gengibre por dia. 

O gengibre não é recomendado para gestantes, lactantes e crianças. O alimento também não é orientado para pessoas com hipertireoidismo, com cardiopatias, enxaqueca, úlcera e alergias.

O gengibre pode ter alguns efeitos colaterais como azia, diarreia e desconforto estomacal. Caso isso ocorra o alimento deve ser excluído da dieta. O gengibre é contraindicado para pacientes que fazem usos de medicamentos anticoagulantes por já retardar a coagulação sanguínea. A raiz também é perigosa para quem toma remédios para controle do diabetes. 

Canela

A canela se destaca por prevenir e controlar o diabetes e o colesterol e ainda tem ação termogênica. Não há diferenças nutricionais entre a canela em pó e em pau. Este tempero pode ser polvilhado nas frutas, legumes, carnes e também ser incluída em chás e sucos. O mingau de aveia também pode levar este tempero. 

Você não resiste ao arroz doce, então a canela pode ser sua aliada. Um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition observou que incluir três gramas de canela no arroz doce promove a redução dos níveis de insulina logo após a refeição e o aumento do GLP-1, hormônio que estimula a secreção de insulina. Esse processo ajuda a controlar as taxas de açúcar no sangue. A quantidade recomendada de canela por dia varia entre um e seis gramas. 

Combinar o gengibre com a canela é uma ótima ideia para quem está resfriado ou quer prevenir o problema. A canela estimula o sistema imunológico e o gengibre possui ação anti-inflamatória que ajuda a lidar com infecções no trato respiratório e tosse. A dupla também potencializa o gasto energético no organismo. 

O consumo da canela não é indicado para gestantes porque aumenta os riscos de aborto. Lactantes e bebês também não devem ingerir. Pessoas com hipertensão e também quem tem problemas no fígado devem consultar o médico sobre o consumo da canela.

O consumo em excesso de canela pode causar intoxicação, irritação das mucosas e do intestino, alteração dos batimentos cardíacos, úlcera e alergias. 

Pimenta

As pimentas do gênero Capsicum possuem forte ação termogênica, ajudam no combate ao câncer e são boas para o coração, dentes e estômago. A melhor forma de consumir esta pimenta é in natura ou desidratada. "Fator importante é o grau de ardência do alimento. Quanto mais picante maior o teor de capsaicinoides", afirma Medeiros. Portanto, quanto mais ardida a pimenta melhor para a saúde. 

A pimenta é contraindicada para pessoas com úlcera, gastrite e hemorroidas. Quando consumida em excesso a pimenta, especialmente na forma de molho, pode causar queimaduras ou bolhas na boca ou na língua

Café

O café é uma bebida termogênica e ainda tem ação estimulante e é benéfico para o coração. Tanto as versão coada como expressa são benéficas para a saúde. "A forma ideal de consumo do café é puro e de preferência sem açúcar ou adoçante", conta Maida. A orientação é consumir no máximo entre três e quatro xícaras de 50 ml de café por dia. 

O excesso de café pode levar a alguns problemas de saúde. A mucosa do estômago pode ser prejudicada por grandes quantidades da bebida. Devido à cafeína presente no café pode ocorrer o aumento da frequência cardíaca em casos de abuso.

O café não coado, como o turco, ainda pode levar ao aumento do colesterol. O sono também pode ser afetado pelo excesso da bebida, já que ela tem ação estimulante. Por isso, a orientação é evitar a bebida após às 16h. O excesso de café pode ser considerado algo acima de seis xícaras de 50 ml por dia. 

Gestantes e crianças devem evitar o consumo de café. Pessoas que sofrem de ansiedade, glaucoma, incontinência urinária, osteoporose, hipertensão, diabetes e Síndrome do Intestino Irritável devem consultar seus médicos sobre se podem e o quanto podem consumir de café. 

Quem toma pílula anticoncepcional deve ingerir o café de forma moderada. Isto porque a cafeína interage com a pílula e a combinação entre os dois pode levar a nervosismo, dor de cabeça, batimento cardíaco rápido e outro efeitos colaterais. 
Quem estiver com diarreia também deve evitar o consumo do café, isto porque em algumas pessoas mais sensíveis uma pequena xícara basta para estimular os músculos do intestino. Além disso, o efeito diurético da cafeína faz com que a pessoa perca líquidos que são extremamente necessários quando a ela está com o diarreia.

Quinoa

A quinoa favorece o emagrecimento por ser rica em fibras que proporcionam saciedade, além disso ela possui boas quantidades de proteínas o que a torna benéfica para os músculos. O alimento também é bom para a saúde cardiovascular. "Normalmente não há diferenças entre o grão, a farinha ou os flocos de quinoa, embora seja preferível quando o alimento não sofre nenhum processamento", observa Maida. 

A quinoa pode ser adicionada nas saladas nas formas de grãos ou farinhas, incluída no iogurte ou leite como grãos inteiros, o alimento em grãos também pode ser adicionado nas frutas. A farinha de quinoa pode ser adicionada nos sucos ou vitaminas, isto é importante porque na forma de suco as frutas perdem muitas fibras e a quinoa irá proporcionar esta substância. 

Não há contraindicações para o consumo de quinoa, porém quando ingerido em grandes quantidades ela pode levar ao ganho de peso por ser muito calórica. 

Ágar-ágar

Ao ser ingerido o ágar-ágar forma uma espécie de gel que irá proporcionar saciedade e assim contribuir para o emagrecimento. "Essa proteína é benéfica porque combate a flacidez decorrente do emagrecimento, já que ela atua nessas duas frentes ao mesmo tempo", conta Maida. 

Ele pode ser consumido como tiras de algas secas, em pó ou em cápsulas. "Sua característica gelatinosa favorece seu uso em diversas receitas, como pudins, compotas, tortas, sorvetes, molhos e recheios, substituindo com superioridade a gelatina industrial, já que soma diversas vitaminas, proteína e sais minerais", observa Maida.

A versão em pó precisa ser ingerida com um volume considerável de líquidos, um a dois copos de água, suco ou chá. Reparta o consumo em duas vezes por dia, antes das refeições principais. A quantidade recomendada por vez varia entre 0,5 gramas e 1 grama. 

Já as cápsulas podem ser consumidas uma ou duas vezes ao dia, tudo irá depender da orientação médica. Fique atento à procedência da alga que será consumida, em qualquer versão. Para ter qualidade este alimento precisa ser retirado de águas profundas do mar. 

O ágar-ágar não é contraindicado para ninguém e não há estudos que mostrem riscos do consumo em excesso do alimento. "Porém, na alimentação todos os extremos são prejudiciais", alerta Maida.
 
Gergelim

O gergelim é ótimo para quem busca uma boa forma por ser rico em fibras. "A melhor maneira de consumi-lo é a semente na forma integral, crua e com casca. Uma colher de sobremesa ou de sopa ao dia, dependendo de cada caso, se mostrou eficiente para o alcance dos seus benefícios", diz Medeiros.

A semente pode ser adicionada nas saladas, massas, lanches e também compõe algumas barrinhas de cereais, o que é uma ótima combinação. 

O gergelim não é recomendado para pacientes que tem intestino solto e também para aqueles que possuem problemas renais. Em excesso o gergelim pode causar a diarreia devido à sua quantidade de gorduras. 

Farinha de feijão branco

Uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia (Estados Unidos) com 50 pessoas obesas mostrou que os voluntários que ingeriram uma porção diária de farinha de feijão branco perderam 1,7 quilos a mais do que quem recebeu placebos. Este alimento é um aliado da dieta porque reduz a absorção de carboidratos e gorduras e proporciona saciedade. 

A farinha pode ser polvilhada em frutas, saladas, sucos e iogurtes ou utilizada em preparações, como bolos, tortas, panquecas, ou qualquer outra receita que tenha farinha. 

Não consuma esta farinha por mais de 30 ou 40 dias. Isto porque os feijões crus possuem fatores antinutricionais, nutrientes chamados de filtatos que pioram a absorção de nutrientes como ferro, zinco, cobre e fósforo. Por este motivo ela também não é indicada para pessoa com anemia, alterações intestinas e gestantes. Crianças só podem ingerir a farinha sob supervisão médica. 

A quantidade recomendada da farinha de feijão branco é 30 gramas e quando ultrapassada podem ocorrer efeitos colaterais como desconforto gástrico, diarreia, náuseas, vômitos, dores estomacais e flatulências. 





terça-feira, 2 de junho de 2015

Receita: Vitamina de Goji berry

Ingredientes

  • 1/2 xícara (chá) de goji berry desidratada
  • 1 xícara de chá de água
  • 1/2 colher (sopa) de raspas de laranja
  • 1/2 colher (sopa) de gengibre ralado
  • 1 colher (sopa) de mel
  • 1 xícara (chá) de água de coco.

Modo de preparo

Hidrate a goji berry na água por 10 minutos. Depois bata todos os ingredientes no liquidificador até virar um purê. Misture a água de coco e o gelo e sirva. 

Será que fica bom? Se alguém fizer me conta?

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Malhação em jejum está na moda, mas prática é arriscada para a saúde

Existe uma fórmula ideal para perder peso e ganhar massa muscular? 
A resposta parece bem simples: alimentação balanceada mais atividade física. A recomendação da prática de exercícios de no mínimo meia hora e pelo menos três vezes por semana, comer de três em três horas e beber muita água é unânime entre especialistas em nutrição e educação física. As divergências são em relação ao volume e intensidade dos treinos, e o que se pode ou não comer, inclusive, antes e após a ginástica para um melhor resultado, levando em conta a singularidade e objetivo de cada pessoa. Método de emagrecimento bastante polêmico e que levanta muita discussões é a malhação com o estômago vazio. Batizada com a sigla AEJ (aeróbico em jejum), a técnica consiste na prática de atividades aeróbicas, de baixa ou moderada intensidade, logo após acordar, com duração de 20 a 30 minutos, com o objetivo de diminuir a gordura corporal.

Já bem popular entre fisiculturistas, a AEJ vem ganhado cada vez mais adeptos nas academias entre pessoas que aderiram a musculação em busca do corpo prefeito. Doutor em química biológica e professor do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tiago Costa Leite é um estudioso do método. No Dia Nacional de Luta contra a Obesidade, em 23 de maio, ele participou de congresso em Belo Horizonte, no Uni-BH, para debater temas como exercícios em jejum e modulação nutricional. No evento, Leite apresentou estudos confirmando a eficácia de que atividades físicas praticadas de barriga vazia, além de emagrecer, proporcionam melhor rendimento ao longo do dia.

Embora afirme que o AEJ funciona, ele faz um alerta: a prática sem acompanhamento de profissionais pode causar danos à saúde e o método não é indicado a todas as pessoas. “O método é muito utilizado por atletas de alta performance, que geralmente têm um percentual de gordura muito baixo e um preparo físico muito acima da média da população”, afirma Leite.

Graduado também em educação física e nutrição, o especialista explica que muitos dos defensores da técnica maximizam o processo de emagrecimento. A base teórica do AEJ, segundo ele, é a seguinte: durante o sono, o corpo continua trabalhando, sem se alimentar acaba utilizando as reservas de glicogênio. Com seis ou oito horas dormindo, a reserva de glicogênio do organismo baixa, então ele passa utilizar a gordura como fonte de energia. Ou seja, ao acordar em jejum, o corpo queimará basicamente gordura, em detrimento de carboidratos. “Manter o organismo em privação de alimentos induz a maior queima de gorduras durante o esforço físico. Ao realizar o desjejum rico em carboidratos, o gasto de gordura diminui e, consequentemente, o carboidrato contido na refeição pré-treino passa a ser queimado”, explica.

GLICOGÊNIO 
Já os contrários à prática do AEJ, de acordo com Leite, apontam como fatores negativos os possíveis efeitos colaterais, como a hipoglicemia – diminuição do nível de glicose no sangue – e a perda de massa magra. A hipoglicemia pode se instalar pelo fato de que as reservas de glicogênio corporal especialmente o glicogênio hepático (responsável por manter a glicemia dentro da faixa de normalidade) possa ter sido parcialmente absorvido após a noite de ono. Nesse caso, quando o glicogênio hepático é exaurido, a manutenção da glicemia decorre de outro processo, denominado gliconeogênese, a formação de um novo açúcar. O principal substrato para a gliconeogênese são os aminoácidos oriundos da degradação muscular.

“No meu ponto de vista não existem esses dois extremos que tentam colocar quando se aborda o tema. Posso afirmar que realmente há maior queima de gordura quando se pratica o AEJ, e que o resultado é melhor durante a atividade aeróbica”, informa o especialista. Segundo ele, em jejum, sem a glicose proveniente dos alimentos, o corpo usa um mecanismo de proteção que faz com que a pessoa diminua o consumo da glicose e aumente a utilização de gordura. Quem treina alimentado, tem a perda de gordura diminuída durante a atividade física, já que o corpo tem a glicose para gastar. Nesse caso, o organismo demora cerca de 30 minutos para começar a utilizar a gordura como fonte de energia.

RESSALVAS 
A conclusão do estudo apresentado por Leite é que em jejum a queima de gordura é mais rápida. O fato de uma pessoa estar sem ou com pouco glicogênio residual pela manhã, consegue-se em pouco tempo de exercício a perda de peso exclusivamente em gordura, com apenas 20 ou 40 minutos no máximo. Como o organismo continua utilizando a gordura como fonte de energia pelo menos meia hora após o término da atividade física, para aproveitar ainda melhor a queima, o mais indicado é esperar esse tempo para fazer a primeira refeição, que deverá conter carboidrato, proteína e gordura boa.

Octávio Carneiro Siqueira da Costa é formado em educação física, compete como fisioculturista e é adepto do AEJ há 10 anos. Ele confirma a eficácia do método, mas faz ressalvas para quem está pensando em aderi-lo como caminho para queimar gordura. Para Costa, somente pessoas acostumadas a praticar atividades física devem tentar o treino em jejum. Ainda assim, é imprescindível fazer exames fisiológicos e físicos e ter o acompanhamento de um médico, de um profissional da área de nutrição e só treinar ao lado do educador físico. “Não adianta colocar um sedentário, acima do peso, numa esteira, de jejum. Com certeza, ele vai se sentir mal”, explica Costa. Para Costa, o AEJ é só uma ferramenta de curto prazo, e não se deve estimular a prática de forma contínua.

Ajuda virtual

O aplicativo gratuito MyFitnessPal, disponível em português desde 2013, tem 85 milhões de usuários no mundo, sendo 1,5 milhão do Brasil. No banco de dados do contador de calorias estão cadastrados mais de 5 milhões de alimentos. O programa tem ajudado as pessoas a perder peso. Rafael Moreira Claro, professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, informa que o aplicativo é uma ferramenta eficaz para monitorar o consumo da caloria, mas diz que as pessoas não devem deixar de procurar a ajuda de um profissional para receber as orientações necessárias. “Esses instrumentos devem ser usados apenas como acessórios”, afirma.

Foco em gasto de energia 

Na hora das atividades físicas, usamos basicamente dois tipos de combustíveis: carboidrato e gordura. O objetivo das pessoas que fazem exercícios em jejum é gastar mais gordura. Elas se baseiam na ideia de que, graças ao estoque baixo de carboidrato, resultado de uma noite inteira sem comer, o treino feito antes de se alimentar usaria a gordura como fonte principal de energia. Não importa se na hora da atividade física se gastou mais carboidrato ou gordura, o que importa é que o treino leve a um gasto grande de energia. É o déficit calórico, quando se gasta mais energia do que se ingere, que faz emagrecer. Sendo assim, fazer exercício em jejum, mesmo que se gaste mais gordura, não significa que será mais eficiente para perder peso. Isso pode até levar à perda de massa magra. Quem pratica atividade física adequadamente alimentado, provavelmente consegue fazer mais exercício e logo gastar mais energia.


sábado, 30 de maio de 2015

Alimentação do dia a dia pode ter ação detox

Diariamente circulam pelo nosso sangue uma quantidade razoável de substâncias potencialmente tóxicas para nosso organismo: algumas vindas de "carona" pelos alimentos que ingerimos (agrotóxicos, xenobióticos, corantes, conservantes, álcool, metais pesados como chumbo, alumínio, mercúrio, arsênio , etc ) e que são absorvidas pelo intestino e outras formadas pelo nosso próprio metabolismo interno (ciclo da uréia e outros ), ou seja, produzimos dentro do próprio corpo "lixos" metabólicos. Também inalamos toxinas pelo ar que respiramos (poluição ambiental, metais tóxicos, fumaça do cigarro, etc.) que também vão circular pelo sangue após serem absorvidos pelo pulmão. Todas estas substâncias, se permanecerem por muito tempo dentro da gente, poderão gerar grandes estragos. 

Como então nosso organismo consegue nos defender e eliminar estas toxinas? Graças a existência de um órgão nobre: nosso fígado! Cabe a ele esta tarefa. Mas como? Imagine o fígado como uma grande central que recebe todas as substâncias que são absorvidas pelo intestino, pulmão, pele e todas elas obrigatoriamente terão que passar por ele. Já dentro do fígado, estas substâncias são reconhecidas pelos hepatócitos (células do fígado) como potencialmente tóxicas para nosso corpo e à partir daí uma série de reações bioquímicas irão ocorrer para transformar estas substâncias agressivas em substâncias atóxicas, ou seja, já não mais capazes de intoxicar nosso organismo. À este mecanismo (bastante complexo por sinal) dá-se o nome de detoxificação ou destoxificação hepática. 

Porém, para que o fígado realize este processo de limpeza, várias enzimas específicas deverão ser produzidas para esta finalidade e muitas delas dependerão de determinados nutrientes para funcionarem sendo os mais importantes os compostos sulfidrílicos (ou cisteínicos ou enxofrados) como glicosinolatos e S-metil-cisteína-sulfóxidos. Quais alimentos, então, são boas fontes destes nutrientes? Veja a lista: 
  • Alho, alho-poró,salsão
  • Cebola
  • Agrião, rúcula, couve, brócolis (e outros vegetais verdes escuros)
  • Cardamomo, cúrcuma, coentro, gengibre, mostarda
  • Cogumelos comestíveis
  • Repolho, couve flor, couve de Bruxelas
  • Nabo,rabanete.
Mas não se empolgue em se entupir destes alimentos acreditando que a detoxificação do seu organismo está garantida estando liberado chutar o balde e se expor à todas as toxinas ambientais e internas sem preocupação. Infelizmente a capacidade do fígado em nos proteger é literalmente auto-limitada, ou seja, o fígado produz quantidades limitadas das enzimas que entram no processo de detoxificação e por mais que haja grande disponibilidade de compostos sulfidrílicos dentro das células hepáticas (hepatócitos) existe um limite máximo na produção destas enzimas. É o que a bioquímica chama de fator limitante ou também de processos saturáveis. Quando as quantidades de metabólitos tóxicos que circulam em nosso sangue são maiores que a capacidade de detoxificação hepática poderemos ter prejuízos sérios e riscos de doenças. 

Para então realmente facilitarmos a "limpeza" do nosso organismo temos que limitar a exposição à fatores tóxicos e caprichar nos alimentos fontes de compostos sulfidrílicos e aí sim haverá uma eficiência diária das nossas defesas. Vamos então fazer a tarefa de casa para favorecer a detoxificação? Diminua ou pare os seguintes hábitos: 
  • Tabagismo
  • Bebidas alcoólicas
  • Molhos prontos industrializados
  • Alimentos embutidos
  • Alimentos ricos em corantes e conservantes
  • Alimentos com agrotóxicos ( prefira alimentos orgânicos)
  • Gordura hidrogenada
  • Frituras
  • Excesso de gordura animal
  • Cafeína em excesso.
Para suas defesas capriche nos alimentos detoxificantes como os citados acima. Quer dicas práticas para o dia a dia? É mais simples do que você imagina: 

Incremente seu café da manhã com um suco de fruta batido com couve ou rúcula ou agrião. Pode acrescentar um pouquinho de gengibre também. Mas não o coe para não perder as fibras que são importantes para a saúde intestinal.
Não deixe de usar cebola e alho (simples né!) no preparo dos alimentos do almoço e jantar. Aquela salada bem colorida e com folhas verdes escuras, acompanhada de brócolis refogado te dá muitos compostos sulfidrílicos. Esta salada deve acompanhar sempre seu almoço e jantar. Para não ficar monótono alterne com outras escolhas como couve-flor, nabo, rabanete, cogumelos comestíveis, coentro, alho poró, cardamomo e cúrcuma.

Aprendido o dever de casa agora é só começar. Boa detoxificação à todos os leitores e lembre: saúde não se compra, se conquista! 

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Nova pirâmide alimentar proíbe açúcar e recomenda cuscuz e leite de soja

A Nutrition Australia desvendou, pela primeira vez em 15 anos, uma nova Pirâmide Alimentar e traz alterações polêmicas. Introduz novos alimentos e ‘barra’ o açúcar e a ‘comida de plástico’.

A Pirâmide Alimentar dá as indicações essenciais para ter uma alimentação saudável. A novidade é que esta Pirâmide Alimentar australiana prevê, pela primeira vez, alimentos como quinoa, cuscuz, tofu ou leite de soja. E retira outros como o açúcar ou as gorduras saturadas.

Segundo esta pirâmide açúcar e sal nem desem ser usados. Já estão naturalmente na comida e, por isso, não devem ser acrescentados quando cozinha.

A Nutrition Australia, que elaborou a nova Pirâmide dos Alimentos, recomenda que toda a população confira os rótulos nos alimentos embalados comprados nos supermercado para assim conseguir evitar aqueles que têm sal ou açúcar adicionados. O sal e o açúcar são responsáveis pelo aumento do risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 ou alguns tipos de cancro, sublinham.

A Nutrition Australia aconselha que substitua o sal por ervas aromáticas – secas ou frescas e especiarias. É uma forma saudável de dar sabor à comida.

A manteiga, que antigamente se encontrava no topo da pirâmide, junto dos alimentos que deveriam ser consumidos muito esporadicamente, agora desapareceu. Todas as gorduras saturadas desapareceram. As únicas gorduras que deve comer são as gorduras saudáveis, como o azeite.

Coma quinoa, cuscuz e cereais integrais. 70% daquilo que come ao longo de um dia deve ser fruta, vegetais, leguminosas e cereais. E de entre os cereais deve privilegiar os integrais – o arroz e massa integrais, as aveias e a quinoa. As crianças mais velhas, os adolescentes e os adultos deveriam comer, todos os dias, duas porções de fruta e cinco de vegetais ou leguminosas.

Na camada do meio da pirâmide estão os lacticínios e as proteínas, que devem ser consumidos moderadamente. E aqui há novidades. Escolha sempre produtos lácteos magros, para evitar as gorduras saturadas. Ou então substitua-os por alternativas como o leite de soja, de arroz ou de cereais, desde que tenham, pelo menos 100 mg por cada 100 ml de cálcio adicionado e que não sejam uma opção diária, aconselham.

Carnes, de preferência magras. Os vegetarianos podem ter uma alimentação equilibrada se substituírem o peixe e a carne por ovos, tofu ou leguminosas que sejam ricas em proteínas.


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Receita fit: creme de abacate com cacau

Simples de preparar e saudável, o creme de abacate é um ótimo substituto para as sobremesas.


Ingredientes:

½ abacate maduro
1 colher (sopa) de cacau 
2 colheres (sopa) de iogurte desnatado
2 colheres (sopa) de mel de agave
2 nozes picadas grosseiramente

Modo de Preparo

1. Coloque no liquidificador o iogurte, o abacate, o cacau e o mel de agave. Processe até os ingredientes incorporarem. Acrescente as nozes e processe, duas vezes, na velocidade pulsar.
2. Transfira para um recipiente e sirva. Se preferir gelado, leve a geladeira por algumas horas.

Tempo de Preparo

3-4 minutos

Rendimento

1 porção

Dificuldade

Fácil

Dicas da Fitchef

Acrescente raspas de chocolate amargo na superfície do creme quando for servi-lo.

Informações Nutricionais

Quantidade: 290 g
Calorias: 535 kcal
Proteína: 7 g
Carboidrato: 67 g
Gordura total: 26 g
Gordura Saturada: 5,5 g
Gordura Monoinsaturada: 9,3 g 
Fibra: 12,9 g
Sódio: 115,4 mg

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Alimento orgânico x não orgânico: qual o melhor?

Seja qual for o médico ou nutricionista consultado, 100% deles recomendam o consumo de verduras, legumes e frutas como forma de garantir uma boa saúde. Mas essa unanimidade se esfacela na hora de dizer se os alimentos orgânicos são mais saudáveis que os demais. E a polêmica parece que ainda está muito longe de ser resolvida em definitivo.

Para alguns, vale a pena procurar por eles e até pagar um pouco a mais; a recompensa é um alimento mais saboroso, livre de agrotóxicos e mais amigável ao meio ambiente. Mas há os que defendam que, sob o ponto de vista da saúde do consumidor, não há provas de que os orgânicos tragam benefício extra e, portanto, não faz diferença a forma como o alimento é produzido.

A corrente que defende a indiferenciação entre orgânicos e não-orgânicos ganhou fortes argumentos com a publicação no início de setembro do mais amplo estudo de meta-análise (compilação de vários estudos científicos) feito até o momento, mostrando que, sob o aspecto da quantidade de nutrientes – como carboidratos, proteína, vitaminas e minerais – há pouca ou nenhuma diferença entre os orgânicos e os demais.

Para chegar à conclusão, pesquisadores da Universidade Stanford, coordenados pela médica Dena Bravata, fizeram uma revisão de 17 acompanhamentos clínicos em humanos e 233 pesquisas que comparavam os níveis de nutrientes e contaminantes em alimentos, de acordo com a forma de produção.

Segundo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), esse resultado já era esperado, pois na prática clínica nenhum médico observa diferenças na nutrição de pacientes que só consomem orgânicos. “Muitas vezes a versão do fato é mais forte que o fato. Até o momento, o fato é que não há comprovação científica de que a composição dos alimentos orgânicos seja melhor que os demais”, diz.

Mas o nutrólogo ressalta que, de forma nenhuma, isso significa ele esteja desaconselhando o consumo de orgânicos. “Ambos fazem bem à saúde. Frutas, verduras e legumes devem ser consumidos sempre. Se a diferença nutricional ainda não foi observada cientificamente, é certo que existe um lado filosófico e ambiental”, afirma.

Ribas Filho alerta apenas que, orgânicas ou não, as hortaliças precisam ser bem lavadas, pois independentemente do tipo de produção elas podem ter contaminações por bactérias como salmonela e E.coli, por exemplo.

Outros contaminantes

Embora a pesquisa de Stanford não aponte diferenças nutricionais significativas, ela mostrou que nos alimentos orgânicos há 30% menos risco de contaminação por pesticidas. Segundo os pesquisadores, porém, a questão não preocupa porque os níveis de agrotóxicos encontrados estavam dentro dos limites aceitáveis.

Especialistas brasileiros, no entanto, defendem que só isso já é motivo suficiente para preferir os orgânicos. Afinal, mesmo sendo baixo o risco de problemas sérios advindo da ingestão de aditivos químicos aos alimentos, nos orgânicos o risco é zero.

“Estudos indicam que se ingerirmos quantidades dentro dos valores diários aceitáveis não sofreremos danos à saúde, ainda assim os orgânicos são melhores por não conterem nenhum aditivo químico”, afirma a pesquisadora Edinéia Dotti Mooz, do Grupo de Pesquisa em Segurança Alimentar e Nutricional da Esalq, USP. Ou seja, se do ponto de vista do valor nutricional não foram comprovadas diferenças, há outros critérios que levam os orgânicos a serem melhores.

Além disso, uma limitação do estudo é que não foram levadas em consideração as consequências da exposição a pesticidas a longo prazo – os acompanhamentos clínicos analisados tinham no máximo dois anos de duração. Isso pode fazer uma grande diferença: pequenas quantidades de agrotóxicos sozinhas podem não ser prejudiciais, mas acumuladas têm o potencial de causar efeitos nocivos, que só serão percebidos 10 ou 15 anos depois. O mesmo vale para os antibióticos e hormônios dados aos animais de corte, que acabam entrando no organismo de quem os consome.

Sobre esse aspecto, existe de fato uma larga “zona de incertezas”, afirma a médica Raquel Rigotto, professora de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará: “Cada estudo avalia um elemento por vez, mas nós temos uma exposição múltipla. Portanto, não há certezas sobre a interação entre eles no nosso organismo ou no próprio alimento”.

Na falta de resultados conclusivos, o ideal seria adotar o princípio da precaução, defende Rigotto. “Dizem que não há estudos provando que agrotóxicos fazem mal. Mas a lógica deveria ser a contrária: existem estudos comprovando que eles não fazem mal?”, questiona. Segundo ela, já existem evidências vindas de estudos epidemiológicos de que os agrotóxicos podem causar alergias, problemas de fertilidade, doenças neurológicas e cânceres.

Ribas Filho, no entanto, acredita que as pessoas não precisam se alarmar. “Se usadas dentro dos padrões permitidos, não há indícios de perigo dessas substâncias. Se os alimentos atuais fizessem mal, não estaríamos assistindo ao aumento constante da expectativa de vida da população”, diz.

Realidade nacional

Um problema enfrentado pelo consumidor brasileiro é que os limites legais frequentemente são ignorados. Desde 2002, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faz análises anuais de resíduos de agrotóxicos em alimentos e, ano após ano, encontra inúmeras substâncias vetadas, ou o uso das permitidas acima dos patamares considerados seguros.

Na última análise, por exemplo, mais de 90% das amostras de pimentão estavam fora das normas da Anvisa. No balanço geral, das 2.488 amostras coletadas, 28% estavam insatisfatórias. Um novo estudo sobre o uso de agrotóxicos deve ser divulgado na primeira quinzena de dezembro.

E mesmo as regras brasileiras são consideradas frouxas por alguns pesquisadores. O governo aceita atualmente a utilização de 434 ingredientes ativos, usados para evitar pragas como fungos, insetos, roedores, moluscos, formigas e ervas daninhas. Entre essas substâncias, pelo menos 24 já foram banidas nos Estados Unidos, Canadá ou Europa.

“E todos os estudos que liberam os pesticidas e adubos químicos são de curto prazo. Na prática, como não se sabe se fazem mal ao longo do tempo, libera-se o uso. Mas antes deveríamos ver se realmente fazem mal”, afirma a nutricionista Elaine de Azevedo, autora do livro Alimentos Orgânicos (Editora Senac) e professora da Universidade Federal de Grande Dourados (MS).

Por isso, ela recomenda, sim, a opção pelos orgânicos, mesmo que sejam um pouco mais caros. “O orgânico merece ser mais caro, porque seu valor real é maior: um produto que respeita o homem do campo, não polui e não traz doenças”, afirma Azevedo. Uma dica para não se pagar preços abusivos é procurar feiras e sacolões específicos de orgânicos, que costumam oferecer mais variedade e valores menores dos que nas grandes redes de supermercados.

Cuidados para minimizar riscos

Quando não for possível consumir apenas produtos orgânicos, seja pelo preço proibitivo ou pela falta de oferta, algumas atitudes podem minimizar a ingestão de insumos artificiais junto com os alimentos. Uma delas é comprar apenas produtos de época. “Fora da estação adequada é quase certo que uma fruta, verdura ou legume tenha recebido cargas maiores de agrotóxicos. Escolha outro produto que o substitua em termos nutricionais”, aconselha a Jocelem Salgado, professora de Nutrição da Esalq, USP.

Também é sempre mais seguro comprar produtos de sua região. “Alimentos que percorrem longas distâncias normalmente são pulverizados pós-colheita e possuem alto nível de contaminação”, explica a professora. Outra dica de Salgado é diversificar o consumo: “Além de propiciar boa variedade de nutrientes, reduz a chance de exposição a um mesmo agrotóxico”.

Embora não se possa eliminar completamente os agrotóxicos, medidas como retirar as folhas externas das verduras, lavar todos os alimentos em água corrente e mergulhá-los em uma solução de água com vinagre ajudam a retirar parte deles.

Quando se trata de frangos, a recomendação de Salgado é retirar a gordura e pele, pois algumas substâncias tóxicas se acumulam em tecidos adiposos.

O QUE É ALIMENTO ORGÂNICO?

Orgânico é o alimento cultivado sem pesticidas, defensivos agrícolas, adubos inorgânicos ou sementes trangênicas, e produzido de uma forma que não prejudique o ecossistema local, como contaminar as águas de um rio. Se for de origem animal, o produto não deve ter antibióticos, hormônios do crescimento ou outras drogas veterinárias. Além disso, os produtores devem assegurar instalações adequadas visando o bem-estar dos animais que, aliás, costumam viver livres e não confinados. Quando se fala de produtos orgânicos processados, como sucos e geleias, além de contar com matérias-primas orgânicas, eles não podem incluir aditivos sintéticos na fabricação (corantes, aromatizantes, conservadores, etc).

Para alguns, o conceito de orgânico também abarca um sistema de produção que respeite a mão-de-obra envolvida, oferecendo condições de trabalho e salários dignos. Como esse critério não é amplamente utilizado, alguns preferem usar o termo “agroecológico” para diferenciar os alimentos feitos dessa maneira. “O agroecológico tem a consciência de sustentabilidade com o ecossistema e com a qualidade de vida para o trabalhador. Há empresas que cultivam sem agrotóxicos, mas fazem monoculturas e exploram a mão-de-obra”, afirma a médica Raquel Rigotto, professora do Departamento de Saúde Comunitária da Universidade Federal do Ceará.